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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Segunda-Feira dia de Livros

Hoje é Segunda-Feira e irei falar sobre um livro q foi indicado pelo meu melhor amigo, o livro se chama: 
“Ilusões Pesadas” 



O cara mal completou quinze anos e já se sentia vivido o bastante para contar sua vida, em especial tudo que se passou com ele um ano antes, numa fase de “profunda crise existencial”. E eu fiquei com um pé atrás. E em meio a esse turbilhão de sentimentos, porém, alguns adolescentes conseguem, com um pouco de talento artístico, produzir algumas coisas relevantes.
E esse é o caso do parisiense Sacha Sperling, que escreveu “Ilusões Pesadas” em 2009, inspirado no meu delinquente favorito, o poeta Rimbaud, o livro narra o cotidiano desse adolescente entediado que mergulha em sexo e drogas. E não é que o rapaz é bom mesmo e tem o que contar, começando por suas “explorações sexuais” com garotas e com um garoto de sua idade, o pasoliniano Augustin, que tem um pé na delinquência e virá a ser seu primeiro grande amor. Achei bacana isso.
Tão forte quanto o álcool, a cocaína e o sexo é a dependência psicológica que Sacha tem de Augustin. Amor e ódio vão se misturando a cada novo parágrafo. Um precisa do outro, mas ao mesmo tempo não conseguem passar mais do que uma noite juntos. Não faltam as epifanias nem sempre luminosas, obtidas às custas de muito álcool e drogas, como sempre, desde maconha até cocaína, passando por anfetaminas e calmantes de farmácia.
Filho dos cineastas Diane Kurys e Alexandre Arcady, ou seja, com uma boa estrutura, grana, oportunidades e formação por trás, Sacha domina o texto com uma habilidade bem bacana para alguém de sua idade e para as bobagens teens que ultimamente as editoras teimam em publicar. Não por acaso, exagero ou não, foi eleito a mais reluzente promessa surgida nos últimos anos na literatura francesa.

“Enfiei algodão dentro do meu All Star. Não é fácil entrar em boates com 14 anos. Pegamos um táxi. Gastamos um tempo até achar Sam, o amigo de Augustin que vai nos ajudar a entrar na Scream. Ele está ocupado cheirando umas fileiras no assento da scooter. Ele nos oferece. Aceitamos. Eu sei como fazer, aprendi nos filmes. Mesmo assim, tremo ao aproximar a nota do espelhinho de bolso. É amargo”, conta o personagem Sacha.
Bonito, inteligente, aloprado e algo neurastênico Sacha (*personagem e autor ostentam o mesmo nome) nos dá livre acesso aos meandros mais íntimos de sua (subjetividade) adolescência. Sinal dos tempos globalizados, de internet, hiperacelerados que vivemos, mas o livro fala direto ao leitor, que estará sujeito a boas gargalhadas com as insolências desse burguesinho da pá-virada que pinta e borda, se desespera e amadurece na rive gauche parisiense.
No livro, o Sacha-personagem, seduzido pela beleza do seu namoradinho Augustin, dá uma banana para o sistema moral dos pais, do colégio e da comunidade, e embarca num carrossel de sexo, festas e drogas. As cenas são hilárias. Mas o verbo erótico e luminoso, minado pela libertinagem, "não encontra lugar entre o prazer e a realidade" (palavras do próprio Sacha).
E bem “devagar... devagarzinho...”, já dizia o Martinho da Vila, a relação vai sendo corrompida pelos excessos e pelo preconceito (dos outros). As ilusões, depois de perdidas no célebre romance de Balzac, agora viram pedra, mas "Ilusões Pesadas" anda fazendo barulho entre os críticos literários. Geralmente é o que acontece quando adolescentes talentosos escrevem narrativas sórdidas e batizam o protagonista com o próprio nome. É a diluição da fronteira que separa o biográfico e o ficcional que acaba contaminando a leitura e gerando a tal polêmica. Fora que o cara nasceu num país que exala cultura. Dúvida embaraçosa: será que o autor viveu mesmo as degradantes experiências narradas? (“ILUSÕES PESADAS”, de Sacha Sperling, romance, 176 págs, Companhia das Letras – 2011)